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força do Interior
paz na Serra
Assim como ocorrera em Erechim, o Gre-Nal de Caxias foi mais uma boa
lição de que é possível fazer clássico sem confusões entre torcidas.
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nome do jogo
Forlán
O uruguaio tomou gosto pelo Gre-Nal. Já havia marcado no primeiro do
ano. Desta vez, sofreu e converteu o pênalti e ainda bateu o escanteio
para Moledo.
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deu errado
reservas
Em nome do 'projeto Libertadores', novamente o Grêmio usou reservas
em Gre-Nal. E, novamente, foi envolvido e mereceu a derrota.
Só mudou o endereço. De resto, o filme se repetiu. Até o placar. Com
discurso de valorização do Gauchão, o Inter levou titulares, dominou a
partida do início ao fim e venceu os reservas do Grêmio (só Dida e
Werley jogaram) na tarde deste domingo em Caxias do Sul - roteiro
semelhante ao clássico anterior, em Erechim. A outra diferença está no
prêmio desta nova história. Não chega a ser um Oscar, mas vale bem mais
que os três pontos. O placar de 2 a 1, gols de Forlán, Rodrigo Moledo e
Willian José, leva o time de Dunga à semifinal da Taça Piratini, o
primeiro turno do Estadual.
Agora, o Inter, que estreou o estádio Centenário como sua nova casa até
o Beira-Rio ser liberado das obras, aguarda pelo vencedor do confronto
entre Lajeadense e Esportivo, que duelam às 18h30m. A outra semifinal
está definida entre São Luiz e Caxias. As duas ocorrem no próximo fim de
semana, com datas a serem definidas pela Federação Gaúcha de Futebol.
Eliminado, o Grêmio só volta a pensar em Gauchão em 16 de março, quando
enfrenta o Lajeadense, na primeira rodada do segundo turno. Antes, no
dia 5, recebe o Caracas, possivelmente na Arena, pela Libertadores,
grande objetivo do clube no primeiro semestre e motivador do uso de
reservas em Caxias do Sul.
Forlán comemora o primeiro gol colorado (Foto: Alexandre Lops/Divulgação Inter)
Domingo de Gre-Nal: paz, gandula e 3-5-2
O segundo clássico da história a ser disputado em Caxias do Sul - o
primeiro ocorrera em 1965, num amistoso em 0 a 0 - começou muito antes
de a bola rolar. E em clima de tranquilidade. Era essa a atmosfera nas
ruas da cidade serrana desde muito cedo da manhã. Na entrada das
equipes, uma faixa pedindo paz nos estádios e ainda um minuto de
silêncio, em homenagem ao jovem morto na Bolívia, após o arremesso de um
sinalizador. Mas... Gre-Nal é Gre-Nal, e alguns componentes
tradicionais do clássico não demoraram a surgir.
Primeiro, o mistério. Vanderlei Luxemburgo levou apenas os titulares
Dida e Werley a Caxias, mas segurou a divulgação da escalação até
minutos antes do apito inicial de Jean Pierre de Lima. Surpreendeu ao
levar a campo três zagueiros. Mais curioso ainda foi ver o defensor
Douglas Grolli envergar a camiseta de número 11. Segundo elemento, a
rivalidade: o diretor executivo Rui Costa não gostou de ver os gandulas
com uniformes do Inter, mesmo que o mando fosse vermelho. Como medida
paliativa, foram entregues coletes aos funcionários, alvos de polêmica
já no Gauchão passado, em Gre-Nal da Taça Farroupilha, no qual Luxa
discutou com um gandula e acabou expulso.
Por falar em Inter, nada de mistério no time de Dunga. Apenas a entrada
de Juan na vaga de Ronaldo Alves, lesionado de última hora. Com
titulares, desenhou uma já esperada superioridade. Em 15 minutos, teve
quatro escanteios ao seu favor. Num deles, aos 6, Damião emendou uma
bicicleta, encobriu Dida e viu a bola roçar o travessão. Antes, aos 2,
Juan já havia cabeceado com perigo sob a trave.
Uruguaio desmancha muralha
Damião e Werley protagonizaram bom duelo
(Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA)
Sobrevivendo de lançamentos aleatórios para Welliton e Marcelo Moreno, o
Grêmio demorou a levar perigo ao gol de Muriel. Aos 20, Tony chegou
próximo à área e levantou na cabeça de Welliton. O atacante mergulhou,
num peixinho estiloso, porém desastrado: na pequena área, perdeu a
grande chance da partida até então.
Oportunidade que custaria caro. Quando Forlán teve a sua, aos 25
minutos, não desperdiçou. Após tabela envolvente de D'Alessandro e Fred,
o uruguaio recebeu na área e acabou calçado por Matheus Biteco: pênalti
incontestável. Que virou gol no pé direito de Forlán, em chute rasante,
forte, no canto direito de Dida. O goleiro não sabia o que era buscar
bolas na rede desde 10 de novembro, ainda com as luvas da Portuguesa.
O gol inflou um estádio já amplamente vermelho. Se já estava difícil
para o desentrosados reservas do Grêmio, o 1 a 0 complicou de vez. Logo
depois, D'Alessandro - que iria comemorar 200 jogos neste domingo, mas
que acabou tendo as estatísticas recontadas, foi a sua 197ª partida -
tentou o dele. O chute, venenoso, passou zunindo a trave canhota de
Dida. A pressão ensaiada com esse lance arrefeceu. O primeiro tempo foi
se esvaindo com lentidão, como se o melhor já estivesse sido feito.
- É importante a vitória, mas ainda faltam 45 minutos. É bom fazer o
gol, mas o melhor é a equipe estar vencendo e depois classificar -
ponderou o eficiente Forlán.
O pouco inspirado Marcelo Moreno lamentou o resultado:
- Foi um primeiro tempo complicado. Desde o início tentamos fazer um
bom jogo, fazer o primeiro gol, mas fomos surpreendidos. Temos que
manter o ritmo para empatar e depois tentar vencer - afirmou o atacante
gremista.
Grêmio muda, mas Inter manda e dá "olé"
O boliviano, no entanto, não teve chance de colocar em prática as suas
ideias. Acabou substituído por Willian José. O antes improvável 3-5-2
virou pó no vestiário. Ressurgiu como um 4-3-3 na volta do intervalo.
Isso porque Luxa ainda colocou o argentino Facundo Bertoglio e sacou o
zagueiro Bressan.
Não deu muito certo. Pelo menos nos primeiros minutos, o Grêmio,
aturdido, viu o Inter colecionar investidas perigosas. Aos 2 minutos,
Dida subiu mais alto do que todos, mas não agarrou a bola após
escanteio. Caído, ajoelhado na grama, viu Biteco salvar a bola na linha
da pequena área.
Era uma espécie de prelúdio. Prefácio. Premonição. Aos 13, em novo
escanteio, agora pelo lado esquerdo, o Inter aumentou a vantagem. Desta
vez, Dida não saiu nem ficou no gol. Abriu um vão para o atento Rodrigo
Moledo se antecipar a Biteco e desviar às redes: 2 a 0. Que poderia ser 3
a 0 logo em seguida, se Damião não tivesse errado a pontaria, após
vencer a débil zaga tricolor em arrancada veloz.
Os gritos de "olé", que o Grêmio titular tanto ouvira a seu favor no
Engenhão, se virou contra os reservas no Centenário. Os quase 18 mil
colorados vibravam com cada troca de passe, seja no ataque, seja na
defesa. Aos 22, no entanto, a festa colorada foi silenciada pelo apito
inesperado de Jean Pierre, que marcou pênalti de Josimar em Douglas
Grolli, após levantamento na área. Willian José descontou: 2 a 1.
Estádio repleto, rivalidade, falhas, acertos, gols... faltava ainda uma
confusão para o Gre-Nal 396 ter cara de Gre-Nal. Embora tímida, ela
chegou aos 28 minutos. D'Alessandro não gostou da marcação mais forte de
Adriano. Os dois se estranharam e levaram cartão amarelo, o primeiro
havia sido para Josimar devido ao pênalti.
Mas a cara do Gre-Nal 396 foi mesmo a vontade de vencer. Que, ao lançar
mão de todos os seus titulares, só o Inter realmente a teve. E, assim,
só o Inter poderia vencer. Só o Inter venceu. Não poderia ser diferente.
Todos já haviam assistido a esse filme.