domingo, 27 de dezembro de 2015

27/12/2015 07h00 - Atualizado em 27/12/2015 07h00

Críticas, hérnia e pilates... D'Ale passa 2015 a limpo e projeta o futuro no Inter

Embaixador do Lance de Craque, jogo beneficente que ocorre neste domingo, no Beira-Rio, o gringo falou sobre o evento e a temporada ao GloboEsporte.com

Por Porto Alegre
D'Alessandro tive foto com fã durante venda de ingressos para o Lance de Craque (Foto: Eduardo Deconto)D'Alessandro tive foto com fã durante venda de ingressos para o Lance de Craque (Foto: Eduardo Deconto)
D'Alessandro viveu um 2015 atípico com a camisa do Inter. Acostumado com o protagonismo quase que irrestrito dentro de campo pelo Colorado, se viu obrigado a trocar os minutos com a bola nos pés pelas sessões de pilates. Vitimado por uma hérnia de disco, viu o método como esteio para superar a dor e voltar aos gramados já na reta final do Brasileirão. Não conseguiu ser decisivo, mas encontrou na terapia o caminho para iniciar 2016 recarregado.

Até porque o ano, já prestes a findar, não foi de todo negativo. Mesmo em uma das temporadas em que menos decidiu nos gramados, o argentino viveu momentos de glória. Ergueu a taça de pentacampeão gaúcho e foi capaz de conduzir o Inter à semifinal da Libertadores, até a traumática eliminação para o Tigres, do México. Nos bastidores, seguiu como capitão e principal referência do elenco, ainda que tenha, por vezes, escapulido de bater de frente contra as críticas.

- Eu comecei a fazer pilates em 2013. Eu tento encaixar algumas aulas de pilates, mesmo jogando a cada dois dias. Esse ano, eu fiz por causa das costas, pela lesão, por causa da hérnia. Preciso cuidar mais do que antes. O Inter me entende, que com quase 35 anos, o cuidado tem que ser diferente. A crítica não incomoda. Já expliquei. Quando a crítica é pessoal, não é verdadeira, quando inventam história, é difícil de aceitar. As críticas não caem só em mim. Caem nos mais velhos, nos experientes, caras que saem para falar - afirma o argentino.
D'Alessandro em entrevista coletiva do Lance de Craque (Foto: Lance de Craque / DVG)D'Alessandro em entrevista coletiva do Lance de Craque (Foto: Lance de Craque / DVG)


Em contato por telefone, enquanto desfrutava das férias ao lado da família na terra natal, a Argentina, D'Alessandro atendeu a reportagem do GloboEsporte.com e passou a limpo um 2015 com muitas facetas.  A última delas, a de embaixador do Lance de Craque, a ser confirmada neste domingo, às 17h, no Beira-Rio, quando o jogo beneficente terá sua segunda edição.

> Confira a íntegra da entrevista com D'Alessandro:
O que está mais difícil para o Lance de Craque?Mais difícil é tudo. A convocação dos atletas, transporte, trazer os jogadores da Argentina, Uruguai, os caras que estão de férias. A logística é sempre difícil, mas há uma disposição boa. E depois, é difícil correr atrás de patrocinadores, é complicado, a crise chega para todo mundo. O país nesses últimos tempos piorou um pouco. Nosso grupo de trabalho é muito bom, tem vontade de trabalhar e ajudar.

Tem lado empresário, ajuda no lado comercial? 
Estou engajado com o projeto, sou o embaixador. Estou envolvido, tento me envolver com tudo. Claro que os guris, que são cinco, são eles que trabalham a parte burocrática, comercial. Tem uma parte que eu preciso fazer, que é me apresentar, ficar com os patrocinadores, explicar o que representa o jogo. 
gre-nal 408 grêmio inter beira-rio dalessandro d'alessandro (Foto: Diego Guichard/GloboEsporte.com)D'Alessandro após vitória no Gre-Nal (Foto: Diego Guichard/GloboEsporte.com)

Que balanço faz de 2015?
O ano do Inter foi bom. Claro que futebol é resultado, infelizmente. Quando chega ao final do ano não se avalia o esforço, o que o time tentou fazer, o rendimento. Se avalia se chegou ou não, o título. Foi bom, passamos por muitas dificuldades no meio do caminho. Ganhamos o Gauchão de novo. Sempre falo que quem perde cria uma pressão. Quem ganha, não vale nada. Prefiro ganhar, para começar o ano bem.
Acontece uma coisa estranha no Sul, que o Inter é sempre desacreditado. Ninguém nunca dá nada pelo nosso time, mas ele chega
D'Alessandro
Acredito que fizemos uma campanha boa na Libertadores, sem cumprir o objetivo maior. Ficamos pertinho, muito perto. Obviamente, reconhecemos que tivemos erros. Por isso, não chegamos ao objetivo. Faz parte, nem sempre se pode ganhar. Não quer dizer que a gente é conformista. O Inter é muito grande para se conformar com isso, mas foi uma campanha muito boa, o melhor time brasileiro na Libertadores. Ninguém dava nada pelo Inter.
Deixamos de lado o Brasileirão, acho normal. É difícil correr atrás, a uma distância considerável do G-4. Tentamos, chegamos até o final com possibilidades. Acontece uma coisa estranha no Sul, que o Inter é sempre desacreditado. Ninguém nunca dá nada pelo nosso time, mas ele chega. Escutamos muita coisa e isso nos deu força para chegar até o final com chance de classificação. Faz parte, ter deixado o primeiro turno de lado custou caro. 
Inter Tigres Libertadores Beira-Rio jogo D'Alessandro (Foto: Diego Guichard/GloboEsporte.com)D'Alessandro teve boa participação na Libertadores (Foto: Diego Guichard/GloboEsporte.com)


Essa coisa do desacreditado, incomoda?
A crítica não incomoda. Incomoda quando a crítica é pessoal, não é verdadeira, quando inventam história. Pelo trabalho que estamos expostos, faz parte. Falo por mim, quando é pessoal, é difícil de aceitar. Quando é pelo trabalho, não é todo mundo que vai gostar de mim, do jeito que jogo. Não só esse ano. Há muitos que nos sentimos por aí que somos desacreditados e nos recuperamos. Sempre nos recuperamos.

Acha que por ser capitão, cai em ti essa pressão?Sou uma parte do grupo, um dos líderes e dos caras mais velhos. Centraliza nos quatro ou cinco maiores, cai sempre no nosso colo. Dida, Juan, Alex, Rafael Moura, Alisson, que é jovem, mas adquiriu uma personalidade pela importância no Inter e Seleção. Não só em mim, cai nos mais velhos, nos experientes, caras que em algum momento confrontam alguém, saem para falar.
D'Alessandro recebe atendimento por problema na região lombar (Foto: Diego Guichard)D'Alessandro recebe atendimento por problema na região lombar (Foto: Diego Guichard)
Como está a preparação para 2016, sei que faz pilates...
Comecei a fazer 2013, um pouquinho. Tento encaixar alguma aula de pilates no período do ano, quando pudemos. Há muita coisa não conseguimos fazer durante o brasileiro, jogando a cada dois dias. Fiz esse ano por causa das costas, pela lesão, por causa da hérnia, preciso cuidar mais do que antes.
Vou continuar fazendo, vou falar com o clube. Obviamente, me entenderam. Com quase 35 anos, o cuidado tem que ser diferente. Mas fico feliz de não ter sofrido lesão muscular.
É preciso cuidar, trabalhar para que não fique rígida. (A hérnia) Vai morar comigo no meu corpo 
D'Ale
Ainda incomoda a hérnia?Foi uma recuperação muito boa, estou bem. Mas fica ali, não sai. É preciso cuidar, trabalhar para que não fique rígida. (A hérnia) Vai morar comigo no meu corpo. As primeiras semanas foram complicadas, quem passou comigo, família e amigos, sabe. Foi a lesão mais chata e difícil.
Tigres Inter Libertadores festa jogo D'Alessandro (Foto: Diego Guichard/GloboEsporte.com)D'Alessandro se emocionou após derrota para o Tigres (Foto: Diego Guichard/GloboEsporte.com)


Como vê a chance de ser hexacampeão do Gauchão?É o objetivo, sempre falamos isso. Não é o objetivo maior, mas é uma competição importante, mas não a mais. Nós vamos entrar tentando fazer o melhor e tentar ganhar. Não pensamos no hexa, mas vamos brigar por essa possibilidade. 

E o Brasileirão e Copa do Brasil, que o Inter não ganha faz tempo... Cresce em importância?
Muito importante, o Inter tem conquistado muitas coisas nos últimos anos, mas o torcedor cobra muito esses títulos. E a gente também. Muitas vezes batemos na porta e, por uma coisa ou outra, ficamos pertinho. Temos que entender de que não é fácil, mas que temos condições de conseguir esse sonho, esse objetivo com um grupo bom, bem montado.

Como vê as contratações do Inter para a próxima temporada?

Estão se esforçando. No começo de 2015, se contratou com um objetivo de ganhar títulos, acrescentar atletas experientes. Estão chegando (reforços), que continuem chegando atletas. É um clube bom para jogar. Dá uma estrutura boa, que acolhe bem. E que tem uma torcida impressionante. É só a gente se concentrar e jogar para fazer nosso trabalho bem.
D'Alessandro recebe título de Cidadão de Porto Alegre (Foto: Ederson Nunes / CMPA)

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