sexta-feira, 25 de setembro de 2015

De Fora da Área

Andressa Riquelme: o torcedor do Inter nada mais é do que uma criança mimada

Assessora de imprensa fala sobre mudança no perfil da torcida colorada após período de conquistas

Por: Andressa Riquelme, assessora de imprensa
25/09/2015 - 06h04min
Andressa Riquelme: o torcedor do Inter nada mais é do que uma criança mimada Félix Zucco/Agencia RBS
Foto: Félix Zucco / Agencia RBS
Hoje, o torcedor do Inter nada mais é do que uma criança mimada. Aquela que, quando a mãe não compra o doce ou o brinquedo preferido, berra, chora e bate o pé. A história parecia perfeita demais para ser verdade. Time vivendo à sombra do maior rival, torcida apaixonada e fiel, quase rebaixamento e, então, a arrancada fulminante, que jogou um coadjuvante a maior time da década na América do Sul. Não poderia dar tudo certo, a vida não permite que as peças se encaixem de maneira perfeita, especialmente no futebol.
O grande problema é que depois de se autodenominar "Campeão de Tudo", o Inter concedeu ao seu torcedor a arrogância tão desprezada em relação aos coirmãos ao longo dos anos. Hoje, se o Inter não estiver vencendo e com uma atuação exuberante, o torcedor simplesmente se transforma em um inimigo dentro de campo. Lindo seria se os mais de 100 mil e tantos sócios utilizassem essa capacidade de mobilização dentro do Beira-Rio e pegassem pela mão os jogadores a cada momento de adversidade.
Talvez não tenha ficado claro, mas posso reforçar aqui para que quem não tenha entendido possa compreender: em bom português, o time do Inter é isso aí. Todo jogo vai ser uma guerra, cada vitória tem de ser comemorada e, se possível, cada resultado adverso, quando sofrido com uma atuação no limite das forças, não pode ser encarado com o ódio que vem sendo.
Com um plantel lotado de medalhões decadentes, e que precisam estar na limpa para o próximo ano, não existe de onde tirar mais futebol. Infelizmente, o inesquecível D'Alessandro está tendo que conviver com a inevitável ação do tempo e não consegue mais ser a válvula de escape para todos os momentos, como fora nos últimos anos. O tempo é implacável e cobra o preço, cedo ou tarde. Os jovens buscam, tentam, mas, infelizmente, ainda não estão maduros ao ponto de serem eles os líderes, estáveis, para que possam ser os responsáveis por assumir a liderança da equipe dentro de campo. E no banco de reservas, Argel vai fazendo o que pode, com escolhas acertadas, outras nem tanto, mas, por ser trabalhador, merece crédito para que pelo menos tente implantar um modelo de futebol no esfacelado time que encontrou.
As vaias ouvidas no Beira-Rio após o empate contra Figueirense e Palmeiras mostram a cegueira que tomou conta de uma parte importante da torcida do Inter, que é incapaz de avaliar o potencial do time, as particularidades enfrentadas ao longo da temporada, acreditando que o "Campeão de Tudo" é o maior clube do universo e que sempre ganhará tudo, não importa o oponente. São 11 contra 11 no futebol mais competitivo do mundo. Real Madrid e Barcelona, só na Espanha.

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