sábado, 30 de agosto de 2014

30/08/2014 13h56 - Atualizado em 30/08/2014 16H

Jovem investigada por injúria racial é intimada a depor na segunda no RS

Polícia do Rio Grande do sul diz que duas pessoas foram identificadas.
Torcedores xingaram goleiro Aranha, do Santos, em jogo contra Grêmio.

Do G1 RS
O ato de injúria racial envolvendo o goleiro Aranha, na partida entre Grêmio e Santos, na última quinta-feira (28), terá um importante capítulo na segunda-feira (1). É quando a polícia do Rio Grande do Sul aguarda Patrícia Moreira, às 9h, além de outra pessoa identificada, para depoimento na 4ª Delegacia de Polícia. Procurada pelo G1, a torcedora não foi encontrada.
A jovem foi flagrada gritando "macaco" em direção ao goleiro, aos 42 minutos do segundo tempo, quando Aranha reclamou com o árbitro Wilton Pereira Sampaio. A atitude gerou grande revolta nas redes sociais.
Diretor das delegacias regionais de Porto Alegre, o delegado Cleber Ferreira diz que ainda aguarda imagens da Arena para que a investigação dê passo adiante. Na quinta-feira, a polícia procurou a jovem na própria residência, localizada na Zona Norte de Porto Alegre. No entanto, familiares alegam que a residência da garota foi apedrejada por vizinhos na sexta-feira.
"É para os dois comparecerem na segunda. O que está demorando um pouco é a chegada das imagens no estádio. Precisamos estar em posse do material para ouvir as pessoas", explicou Cleber Ferreira.
De acordo com a polícia, apenas dois foram identificados por ato de injúria racial. Na sexta-feira (29), o Grêmio alegou que cinco torcedores haviam sido apontados pelos xingamentos, sendo que 10 pessoas foram identificadas pelo clube na confusão. Dentro desse grupo, duas foram excluídas do quadro de sócios.
Patrícia Moreira foi afastada do trabalho no Centro Médico e Odontológico da Brigada Militar. Ela era funcionária de uma empresa terceirizada e prestava serviços de auxiliar de odontologia na clínica da polícia militar gaúcha. As imagens da torcedora ofendendo o goleiro santista começaram a circular pelas redes sociais logo após a partida.
Torcida pode ser punida
O Ministério Público (MP) do Rio Grande do Sul também estima que irá definir em até sete dias se aplicará punições à torcida organizada Geral do Grêmio, de onde partiram os gritos racistas. Em depoimento, o goleiro relatou que as agressões tiveram origem na torcida.
O goleiro Aranha registrou boletim de ocorrência na 4ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre nesta sexta-feira. E voltou a comentar o episódio. "Precisamos combater o racismo enquanto ele ainda está em um nível combatível. E quando falo de racismo é em todas as áreas, todos os gêneros, de raça, de cor, de religião. Temos de ser mais próximos, mais solidários um com um outro, e sempre que percebermos uma atitude ou o início de uma atitude dessas temos de combater desde o começo", disse o jogador.
Aranha reclama de insultos ocorridos na Arena do Grêmio (Foto: Diego Guichard)Aranha reclama de insultos ocorridos na Arena do
Grêmio (Foto: Diego Guichard/Globoesporte.com)
Jogo de volta suspenso
As injúrias raciais proferidas por torcedores gremistas contra o goleiro Aranha tiveram mais um desdobramento no fim da noite de sexta-feira. O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) acatou pedido à Procuradoria de Justiça Desportiva e suspendeu o jogo de volta entre as duas equipes, na próxima quarta-feira (3), até que o caso seja julgado. No primeiro duelo, os paulistas bateram os gaúchos por 2 a 0.
O julgamento ocorrerá na próxima quarta. O Grêmio responderá por ato de discriminação racial por parte de torcedores, além do arremesso de papel higiênico no gramado e atraso. O clube corre risco de exclusão na Copa do Brasil e multa de até R$ 200 mil. A denúncia se apoia no artigo 243-G (discriminação racial) e no 213 (arremesso de objeto em campo), ambos do CBJD. O clube responde ainda ao artigo 191 por descumprir o regulamento e entrar em campo três minutos após o horário previsto.
Arbitragem também denunciada
Na primeira versão, o árbitro Wilton Pereira Sampaio não incluiu na súmula da partida menção a atos racistas na Arena. Após analisar as imagens da partida, o juiz colocou um adendo no qual informou ter ficado ciente do caso por meio da imprensa e que ainda fora informado por atletas do Santos. Desta forma, Pereira Sampaio, além dos assistentes Kleber Lúcio Gil e Carlos Berkenbrock e o quarto árbitro Roger Goulart, foram denunciados por infração aos artigos 261-A e 266, ambos do CBJD. Todos estão sujeitos a suspensões de até 90 dias e 360 dias, respectivamente.
O ato de injúria racial partiu da arquibancada posicionada atrás da meta defendida pelo goleiro Aranha, e levou o camisa 1 do Peixe a paralisar a partida, aos 42 do segundo tempo, para reclamar a Wilton Pereira Sampaio. O canal ESPN flagrou uma torcedora gritando "macaco" em direção ao goleiro, atitude que gerou grande revolta nas redes sociais.
Racismo Arena do Grêmio (Foto: Reprodução/ESPN)Jovem foi afastada do trabalho após episódio na 
Arena do Grêmio  (Foto: Reprodução/ESPN)
A jovem é um dos dois sócios que serão excluídos do clube e apontada como suspeita pela polícia. Patrícia Moreira foi afastada do trabalho no Centro Médico e Odontológico da Brigada Militar, onde prestava serviços de auxiliar de odontologia, sendo funcionária de uma empresa terceirizada. O G1 tenta contato com ela.
Sobre o segundo suspeito de cometer os atos de injúria racial, a polícia informou que não vai divulgar seu nome.
O goleiro Aranha registrou boletim de ocorrência na 4ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre na sexta-feira. "Precisamos combater o racismo enquanto ele ainda está em um nível combatível. E quando falo de racismo é em todas as áreas, todos os gêneros, de raça, de cor, de religião. Temos de ser mais próximos, mais solidários um com um outro, e sempre que percebermos uma atitude ou o início de uma atitude dessas temos de combater desde o começo", disse o jogador.

domingo, 24 de agosto de 2014

Martin Luther King, 51 anos depois

Estados Unidos vivem pesadelo da violência racial

A morte de Michael Brown por um policial em Ferguson mostrou que, no ano do cinquentenário da Lei dos Direitos Civis, negros americanos ainda são mais expostos à violência policial e à prisão

24/08/2014 | 08h03
Estados Unidos vivem pesadelo da violência racial Joshua LOTT/AFP
Criança segura cartaz de protesto em Ferguson no qual se lê: "Minha cor de pele não é um crime"Foto: Joshua LOTT / AFP
Há 51 anos, num agosto abafado, um homem proferiu um discurso pungente nas escadarias do Lincoln Memorial, em Washington, capital dos Estados Unidos. "Eu tenho um sonho de que meus quatro filhos viverão um dia numa nação onde não serão julgados pela cor de sua pele, mas pelo conteúdo de seu caráter", disse o reverendo Martin Luther King, Jr., que mereceria, por sua defesa dos direitos dos negros, um Prêmio Nobel da Paz e uma bala mortal num hotel de Memphis, Tennessee.
Dos três filhos vivos de King (Yolanda, a primogênita, morreu em 2007), o mais velho tem hoje 56 anos, e a caçula, 51. Sob alguns aspectos, os Estados Unidos não são os mesmos de 1963. Em outros, o dia imaginado pelo reverendo permanece distante. Quando Barack Obama prestou juramento como 44º presidente, em 2009, muitos pensaram que King fora profético. Quando um policial de Ferguson, Missouri, matou com seis tiros um jovem negro de 18 anos, no dia 9, o discurso de Washington parece ainda estar sendo pronunciado.
– Obama mencionou diretamente a questão racial em discurso oficial pela primeira vez ao final do seu primeiro mandato, após o assassinato do jovem negro Trayvon Martin, em 2012. Na ocasião, declarou que o garoto de 16 anos morto de forma estúpida e gratuita poderia ter sido ele – diz Gabriel Pessin Adam, professor de Relações Internacionais da Unisinos e da ESPM.
O drama catalisado em Ferguson pode ser entendido à luz do mais importante documento escrito nos Estados Unidos. A Quarta Emenda afirma que "o direito do povo à segurança em suas pessoas, casas, documentos e efeitos, contra buscas e restrições imotivadas, não deve ser violado". Estatísticas indicam que 80% das pessoas abordadas pela polícia de Nova York são negras ou latinas. Em 2012, homens negros estavam seis vezes mais sujeitos a ser presos do que brancos – entre latinos, a proporção era de 2,5 vezes mais do que brancos, segundo o Departamento de Justiça.
Dos 53 policiais, três são negros
Linhas raciais e sociais muitas vezes se confundem. Ferguson sofreu uma verdadeira revolução demográfica nos últimos 20 anos. Até os anos 1990, Ferguson era um subúrbio predominantemente branco. Hoje, de seus 21 mil habitantes, 67% são negros, e 29%, brancos. A cidade alçada ao mapa da violência racial fica na periferia de St. Louis, cuja população caiu de 850 mil habitantes em 1950 para os atuais 318 mil. Em St. Louis, a metade negra da população vive na zona norte, e brancos e imigrantes europeus, latinos e asiáticos, no sul.
À distribuição desigual de direitos e espaço, segue-se o desequilíbrio na representação. Embora sejam a maioria, os negros não representam uma força política ativa em âmbito local. O prefeito James Knowles, republicano e branco, foi eleito num pleito com quórum de apenas 12% dos eleitores cadastrados. Dos 53 homens do Departamento de Polícia municipal, somente três são negros.
Na sexta-feira, ex-policiais aposentados juntaram-se aos protestos para exigir a verdade sobre as circunstâncias da morte do jovem Michael Brown.
– Há milhares de Ferguson nos EUA. Todo o sistema está corrompido. Os negros sabem disso porque são suas vítimas durante toda a vida – disse Ray Lewis, que patrulhou as ruas de Filadélfia durante 24 anos.
"Obama é decepcionante", diz especialista
Doutor em ciência política pela UFRGS, Gabriel Pessin Adam, professor de relações internacionais da Unisinos e da ESPM, é especialista em América do Norte. A seguir, leia entrevista:
– A eleição do presidente Barack Obama em 2008 gerou expectativas de que os Estados Unidos tivessem ingressado numa era "pós-direitos civis". Os acontecimentos de Ferguson parecem indicar uma realidade distinta. Qual é o legado de Obama em relação à questão racial? – Assim como em outras áreas, como a política externa, a atuação de Obama em relação às tensões raciais dos Estados Unidos é decepcionante. A esperança de construção de uma sociedade menos desigual em vários sentidos, entre eles o racial, não se cumpriu até o momento, o que não é de todo culpa do presidente, mas é inegável que ele carrega uma parcela considerável de descaso quanto a temas sociais cruciais. De qualquer forma, a primeira vez que mencionou diretamente a questão racial em discurso oficial ocorreu ao final do seu primeiro mandato, após o assassinato do jovem negro Trayvon Martin, em 2012, um crime muito semelhante à morte de Michael Brown. Na ocasião, Obama declarou que aquele garoto de 16 anos morto de forma estúpida e gratuita poderia ter sido ele há alguns anos atrás. Em suma, o legado é muito pequeno, por certo bem menor do que se esperava de um candidato que não se incomodava com associações com Martin Luther King, Jr., durante a campanha. 
 
– Ferguson trouxe à tona a questão da desmilitarização das polícias municipais e estaduais americanas. Muitos perguntam por que polícias locais necessitam, por exemplo, de blindados e outros equipamentos utilizados em zonas de guerra. Essa preocupação é válida? – Os acontecimentos lamentáveis de Ferguson podem ser observados sob prismas diversos. Um deles é a militarização da polícia estadunidense. Ainda que o início do processo tenha se dado com a criação da SWAT em 1965, o seu impulso recente foi a aprovação das Leis Patrióticas propostas pelo governo George W. Bush na esteira dos atentados de 11 de Setembro. Desde então, a pátria declaradamente construída sob os alicerces da liberdade, da livre iniciativa e da democracia cada vez mais tem tolhido os direitos individuais de sua população, sobretudo de determinadas minorias, o que é muito preocupante e triste. Desde então, a escalada militar da polícia tem sido visível, como na repressão ao movimento Occupy Wall Street, por exemplo. Para se ter uma ideia do alcance do fenômeno, em Ferguson já foi documentado o uso de veículos, granadas de efeito moral, armamentos e uniformes típicos da elite militar dos Estados Unidos. Parte desse material foi utilizado no Afeganistão. Além disto, os policiais de vários pontos dos Estados Unidos têm recebido treinamento com serviços militares e de inteligência de outros países, como Grã-Bretanha e Israel, cujo foco são táticas de guerra, e não de contenção de distúrbios sociais.  
 
– Quais são as diferenças entre o que está ocorrendo em Ferguson e episódios como os de Los Angeles em 1992, Liberty City (Miami) em 1980 e Detroit em 1967? – Todos os eventos citados têm em comum o fundo racial, ou seja, uma ou algumas pessoas negras foram vítimas de repressão policial brutal, inclusive com espancamentos e assassinatos a sangue frio. Se lembrarmos de fatos como os linchamentos do Sul dos Estados Unidos no início do século 20, o assassinato de Martin Luther King, o tiroteio na Universidade Estadual em Kent em 1970 e a morte de Trayvon Martin, temos um quadro perverso de violência repetida contra a comunidade negra dos Estados Unidos. Para além das odiosas semelhanças, há diferenças entre os fatos citados. O contexto de Detroit era de transformação social dos Estados Unidos, com avanço da causa racial, do feminismo, da contracultura, entre outros movimentos. Era um contexto social particular, logo após o Ato Civil de 1964 e às vésperas do mítico 1968. Já os crimes de 1980, 1992 e agora 2014 têm em comum, além do elemento racial, o fato de ocorrerem em meio a crises econômicas dos Estados Unidos, o que talvez ajude a explicar suas ocorrências. Alarmante é o fato de que os distúrbios de 1980 e 1992 tiveram grande impulso após a absolvição dos policiais envolvidos, logo, dependendo do julgamento do policial que assassinou o jovem Brown em Ferguson, a situação ainda pode piorar significativamente.  
 
– Passados 50 anos da promulgação da Lei de Direitos Civis e mais de 20 do auge das ações afirmativas, durante o primeiro governo Bill Clinton, Ferguson parece extremamente segregada. A maioria das autoridades municipais é constituída de branco. A segregação sobrevive fora das Costas Leste e Oeste? – Se não podemos falar em segregação do tipo que existia até os anos 1960, a desigualdade social e racial subsiste nos Estados Unidos, e mesmo em regiões consideradas mais cosmopolitas. Os dados de Ferguson, que demonstram populações majoritariamente negras sujeitas a uma força policial branca e muitas vezes racista, se repetem ao longo do país. Isso resulta em dados que demonstram que nos Estados Unidos a probabilidade de que negros (e hispânicos) sofram repressão policial é muito mais alta em comparação com a população branca. E parece que a população estadunidense não percebe o problema em toda sua extensão, pois uma pesquisa de opinião do Pew Research revelou que apenas 44% dos entrevistados acreditam que os fatos de Ferguson suscitam questões importantes sobre raça, contra 40% que acham que o tema está sendo supervalorizado. Este descaso pode trazer sérias consequências no futuro. 
 
– Ferguson expôs a situação das metrópoles do Meio-Oeste, assoladas pela desindustrialização, pela pobreza e pelo ressentimento. Não é muito frequente ver isso no Oprah Winfrey Show e na mídia em geral. Por quê? – Esta é uma questão muito importante. Ferguson nos suscita três temas, o racismo, a militarização da polícia estadunidense e a crescente desigualdade social. Nos últimos 40 anos os Estados Unidos têm observado uma inédita acumulação de poder econômico por uma pequena elite que cada vez mais detém o poder político do país. Os índices de desigualdade social no país são preocupantes, e quando considerados derrubam os Estados Unidos do quinto lugar no ranking de IDH para o 28º. O Meio-oeste é diretamente atingido pelo processo de desindustrialização em progresso há algumas décadas, o qual gera muito desemprego entre os operários, profissionais sem grande qualificação que encontram dificuldade de encontrar nova colocação. Ainda assim, o meio-oeste possui uma taxa de desemprego parecida com a média nacional segundo dados oficiais do Governo. O fato de isto não ser visto em programas de grande audiência tem a ver com a certa aversão da mídia estadunidense por assuntos como desigualdades sociais e diferenças de classe, pois isto vai contra o mito do sonho americano. É também por causa dessa realidade de silêncio quanto ao empobrecimento do país e sumiço de sua classe média que o artigo do astro do basquete Karrem Abdul-Jabbar, na revista Time, no qual ele coloca a questão social e de classe acima inclusive da racial na análise sobre Ferguson, ganhou tanta projeção.  
 
– Além dos negros, outros segmentos da sociedade americana têm motivos para se preocupar. O número de imigrantes deportados no governo Obama, especialmente latino-americanos, é alto. Os EUA poderão seguir o caminho de alguns países europeus onde avança o racismo e o preconceito? – O governo Obama tem sido mais duro com os imigrantes do que o próprio governo Bush, o que seria impensável nas eleições de 2008. O problema grave da migração de crianças oriundas da América Central põe à prova o respeito do governo Obama pelos direitos humanos. Sobre o racismo, acredito ser importante lembrar que ele existe em muitas sociedades, como, por exemplo em muitos países europeus, e no Brasil, como o episódio Márcio Chagas bem demonstrou. E infelizmente ele nunca morreu nos Estados Unidos. Projeções do instituto de estatísticas estadunidense revelam que, em 2060, negros e hispânicos (estes divididos entre negros e brancos) representarão 45% da população do país. Como é pouco provável que o poder econômico e político do país mude de mãos neste período de tempo, os Estados Unidos terão de repensar como encaram sua sociedade, sob pena de que os distúrbios sociais com base na discriminação sejam bem mais comuns do que hoje. 
Violência racial é uma constante na história americana dos últimos 50 anos. Confira alguns dos episódios mais notórios
Watts, Los Angeles, 11 a 17 de agosto de 1965 A prisão por policiais brancos de um jovem negro, Marquette Frye, durante uma blitz de rotina e a discussão que se seguiu com os membros de sua família desencadeou uma revolta violenta no gueto de Watts, em Los Angeles. A Guarda Nacional passou a patrulhar as ruas, e foi imposto o toque de recolher. Houve 34 mortos, muitos feridos, 4 mil prisões, e danos superiores a US$ 40 milhões.
Newark, New Jersey, 12 a 17 julho de 1967Briga entre dois policiais brancos e um taxista negro provocou um insurreição no gueto de Newark. Durante cinco dias, manifestantes agitaram o bairro já mergulhado na miséria. A violência, exacerbada pelo calor, deixou 26 mortes e 1,5 mil feridos.
Detroit, Michigan, 23 a 28 de julho de 1967Graves distúrbios em Detroit após a intervenção da polícia no 12th Street, predominantemente negra. O exército e a Guarda Nacional foram mobilizados. Os confrontos mataram 43 pessoas e feriram mais de 2 mil. A agitação se espalhou em vários Estados, incluindo Illinois, Carolina do Norte, Tennessee e Maryland. Durante 1967, o balanço total da violência racial chegou a 83 mortos em 128 cidades do país.

4/11 de abril de 1968Após o assassinato de Martin Luther King em Memphis (Tennessee) em 4 de abril, a violência eclodiu em 125 cidades, deixando pelo menos 46 mortos e cerca de 2,6 mil feridos. Com população formada por dois terços de negros, Washington mergulhou no caos, e os saques começaram. No dia seguinte, o conflito se espalhou para o centro comercial, até 500 metros da Casa Branca. O presidente Lyndon B. Johnson convocou todos os agentes da 82ª Divisão Aerotransportada, divisão de elite do Exército americano. O exército também foi enviado a Chicago, Boston, Newark e Cincinnati.
Liberty City, Miami, 17 a 20 maio de 1980Três dias de distúrbios acabaram com 18 mortos e mais de 400 feridos no bairro negro de Liberty City em Miami (Flórida). A violência foi provocada após a absolvição de quatro policias brancos julgados pelo assinado de um motociclista negro que havia furado o sinal vermelho no ano anterior em Miami.
Los Angeles, 30 de abril a 1º de maio de 1992A absolvição de quatro policiais brancos que haviam brutalmente espancado um taxista negro, Rodney King, em 3 de março de 1991, inflamou a megalópole. A violência se espalhou para San Francisco, Las Vegas, Atlanta e Nova York, fazendo 59 mortos e 2.328 feridos.
Cincinnati, Ohio, 9 de abril de 2001Um jovem negro de 19 anos, Timothy Thomas, foi morto por um policial branco em Cincinnati durante uma perseguição. Seguiram-se quatro dias de violência em que 70 pessoas ficaram feridas. A situação voltou ao normal após o estabelecimento do estado de emergência e toque de recolher. Thomas, que estava desarmado, foi o 15º negro a ser assassinado nesta cidade pela polícia desde 1995.