segunda-feira, 7 de outubro de 2013

BEIRA-RIO É UMA LIÇÃO PARA OUTROS ESTÁDIOS

Vistoria em Porto Alegre07/10/2013 | 17h35

Em visita ao Beira-Rio, Jérôme Valcke afirma: "É uma lição para outros estádios"

Em entrevista a Zero Hora, secretário-geral da Fifa elogiou novo gramado do Gigante

Em visita ao Beira-Rio, Jérôme Valcke afirma: "É uma lição para outros estádios" Fernando Gomes/Agencia RBS
Dirigente da Fifa acredita que Improviso é normal. Mas no último minuto é pior: temos de organizar o improviso" Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS
Jérôme Valcke voltou a Porto Alegre após um ano, visitou o Estádio Beira-Rio e gostou do que viu. Para o secretário-geral da Fifa, homem responsável por fazer a Copa do Mundo de 2014 acontecer, o gramado do novo Gigante, plantado com antecedência, serve como lição para outros estádios do Mundial. O dirigente desembarcou na capital gaúcha na manhã desta segunda-feira. Durante a manhã, Valcke se reuniu com dirigentes colorados e autoridades, esteve na obra do Estádio Beira-Rio e entregou a operários ingressos para jogos da competição no novo estádio colorado. Após almoçar no Galpão Crioulo do Palácio Piratini, o dirigente concedeu entrevista a Zero Hora, Rádio Gaúcha e RBS TV. O xerife do Mundial minimizou os atrasos nas obras viárias da cidade:— Improviso é normal. Mas no último minuto é pior: temos de organizar o improviso.
C
onfira alguns trechos da entrevista.
Zero Hora — As obras de mobilidade urbana em Porto Alegre atrasaram, e o foco agora são naquelas próximo ao Estádio Beira-Rio, que estão mais avançadas. A Avenida Tronco, por exemplo, não ficará pronta a tempo para a Copa e serviria para desviar o trânsito dos jogos. Terá de ser feito um esquema especial para a circulação durante o evento. Preocupa que haja improviso? Como você avalia o que viu em Porto Alegre?
Jérôme Valcke — Improviso, quando você tem um evento deste tamanho, é normal. Está acontecendo. Você precisa é ter certeza que é um improviso que você pode controlar, que não é pensado no último minuto, mas trabalhado antes. É o que estamos fazendo. Claro que haverá projetos não finalizados, por várias razões. Mas o importante é que eles sejam concluídos, mesmo que depois da Copa. Porque é parte fundamental do legado para a cidade ou para o país: no Mundial, você está trabalhando em projetos para ajudar as pessoas a terem uma vida mais fácil, como por exemplo no deslocamento de suas casas para seu trabalho. Sempre que temos a impressão de que algo não ficará pronto, discutimos com as cidades uma alternativa. Queremos garantir que seja fácil ir do aeroporto ao estádio, do estádio ao hotel. Estamos falando dos torcedores e de vocês, da mídia. Os times não têm problema; eles têm escoltas, batedores, chegam dois dias antes do jogo. Tivemos boas lições na Copa das Confederações. Muita gente dizia "vai ser difícil, vai levar tempo", mas no fim não foi tão mau. Então temos de aprender com a Confederações, tivemos um bom estudo dela, e agora sentar com as cidades para garantir que, se algo não estará pronto, temos ainda seis meses para trabalhar alternativas. Improvisação no último minuto é a o pior, então temos de organizar o improviso.
ZH – E como Porto Alegre está?
Valcke – Em primeiro lugar, o estádio está perfeitamente pontual. Bebeto e Romário disseram que o campo é um dos melhores. Porque você vê: é bom porque começaram a plantar em fevereiro, então houve tempo para a grama crescer. Além disso, (o Beira-Rio) é uma boa lição para outros estádios que, na Copa das Confederações, acharam que em três meses daria para ter um bom campo. Não é verdade, leva tempo. Então é por isso que acho que a cidade está indo bem, não estou muito preocupado. Além disso, vocês têm uma cultura tão forte de futebol, que não há chance de Porto Alegre não apoiar a Copa do Mundo.
ZH – Qual é a principal qualidade e o que precisa ser melhorado no Beira-Rio?
Valcke – Não vejo nenhum problema. Quando o estádio pertence a um time, é sempre bom. Porque quem trabalha nele é do mundo do futebol. A forma como pensam sobre o estádio é de gente que o utiliza sempre. Reformam para eles em primeiro lugar, apenas seguindo os nossos requerimentos. Um estádio de Copa é diferente, há uma série de outros itens. Mas o estádio de Porto Alegre, do Inter, certamente vai dar à Fifa tudo o que precisamos para a Copa.
ZH – A Fifa sempre destaca o legado positivo da Copa. Por que parte dos brasileiros protesta contra o Mundial?
Valcke – Talvez não estejamos bons em comunicar da melhor forma os benefícios. Talvez parte do país está usando a Copa como plataforma para criticar não a Fifa, mas, indiretamente, o país. Houve um compromisso do presidente Lula, desde o primeiro dia, que a Copa fosse jogada em 12 estádios. Isso foi um pedido do Brasil, não da Fifa. E dissemos sim, mas isso significa multiplicar por 12 o número de problemas potenciais.
ZH – Essa situação é uma lição para a Fifa sobre comunicar-se e negociar melhor com os países na hora de acertar a Copa? Há, por exemplo, debates na Suíça sobre perguntar antes à população a respeito de receber ou não algum megaevento.
Valcke – Concordo. Reconheço que na próxima escolha da sede, temos que introduzir – e isso é um debate que o comitê executivo deve fazer — o pedido de que o acordo não seja assinado só pelo presidente, pelo governador ou por ministros diretamente envolvidos, mas pela mais alta representação. Na Suíça, seria o Referendum, no Brasil seria o Congresso, na França seria a Assembleia Nacional, nos EUA o Congresso. Assim, haveria uma votação. Não significa que vá precisar 100%, mas pelo menos você precisa 51% de concordância, maioria simples, para haver o reconhecimento de que teve uma votação, as discordâncias foram expressadas, e no fim a maioria aceitou e apoia a candidatura. Aí não há uma luta contra a Copa. Às vezes, sentimos que a cada mês, a cada 2 meses, a cada seis meses, algo surge para desafiar a organização da Copa. O principal é básico: não é a Fifa que pede a um país para organizar a Copa.
ZH – É uma escolha?
Valcke – É uma escolha. Quando eu escolho algo na vida, eu assumo. Não digo "ei, vou lá" e na hora "ah, não, vou voltar". "Não vou pagar pelo que estou comprando" ou "não vou apoiar o que fiz".

Nenhum comentário: