domingo, 20 de outubro de 2013

- Atualizado em

Temperamento, carinho pelo Inter
e sonho com Copa: a fase de D'Ale

Em entrevista ao Esporte Espetacular, meia argentino garante que é
craque também no churrasco, lembra infância e rasga elogios a Messi

Por Porto Alegre
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D'Alessandro criou uma identificação incrível com o Internacional. São cinco anos de clube, oito títulos, status de ídolo, a camisa 10 e a braçadeira de capitão. O temperamento explosivo ele carrega desde o início da carreira. Em entrevista ao Esporte Espetacular, ele falou sobre a personalidade forte, a identificação com o Colorado, infância, a seleção argentina e do desejo de disputar a Copa do Mundo no Brasil. O meia recebeu Tande em sua casa, em Porto Alegre, e mostrou uma outra paixão: o churrasco. Ele garante que é especialista no assunto e conta que nas horas vagas costuma colocar a carne no fogo para reunir amigos e a família. D'Ale acendeu a churrasqueira e, entre uma garfada e outra, falou abertamente sobre a carreira.
- A carne argentina é um pouquinho melhor, então como em casa. Faço um churrasco aqui e sinto como se estivesse em Buenos Aires. O pessoal é muito legal em Porto Alegre. A proximidade (de Buenos Aires) faz com que a gente se sinta em casa.
Como é a sua identificação com o Internacional? Por que decidiu ficar em 2012, quando recebeu uma proposta do futebol chinês?
O momento que sempre fica são os títulos. Acho que o maior título que ganhei aqui foi a Libertadores. Ganhamos também a Sul-Americana. A gente viveu uma época muito gloriosa. O carinho pelo clube eu não tenho como negar, é imenso. É claro que eu pensava também no meu futuro, se eu tinha que sair naquele momento (proposta da China, em 2012). Era uma chance que tinha na minha carreira. A gente sabe que não é a melhor liga do mundo, mas o futebol está crescendo, levando jogadores, e que economicamente ia dar uma tranquilidade na vida da minha família. Só que tem coisas na vida que não se compram. Eu achava que era muito novo, decidi ficar, e aquela coisa da torcida pesou muito.
D'Alessandro com a taça do título do Gauchão (Foto: Diego Guichard/GLOBOESPORTE.COM)D'Alessandro faturou o campeonato gaucho deste ano (Foto: Diego Guichard/GLOBOESPORTE.COM)
O que faltou para o Inter embalar no Brasileirão e brigar pelo título?
Acho que a gente não conseguiu o equilíbrio que precisa para ficar lá em cima. Pecamos muitas vezes dentro de casa, mas ganhamos muitos jogos fora. Faltou decidir em casa. Isso que acaba sendo determinante. O nosso objetivo era o título, mas hoje estamos longe. Acho que 15 pontos fica longe. Não é impossível, vamos tentar fazer tudo para cortar essa distância, mas sabemos que é complicado. Para Libertadores a gente está perto ainda.
O que faz você perder a cabeça em alguns momentos?
Sou assim, meu caráter sempre foi assim. Não é porque mudei agora e nem porque hoje eu sou capitão que vou querer falar mais ou menos. Eu falo hoje o que eu falava há dez anos. Só que antes tinham uns caras mais experientes que pediam calma. Hoje dá pra responder um pouquinho ou dá para conversar. Eu converso comigo mesmo, sou meu próprio psicólogo. Tem momentos que tenho que me acalmar e outros que não tem como. A gente tem que tentar ser exemplo e tentar se comportar, mas faz parte também do futebol.
D'Alessandro no amistoso da Argentina (Foto: Reuters)D'Alessandro sonha em voltar para a seleção e jogar
a Copa do Mundo no Brasil (Foto: Reuters)
Quem é o seu ídolo?
O Rúben Paz (ex-meia uruguaio). Ele jogou muito tempo na Argentina e meu pai me colocava na TV para assistir aos jogos dele. Comecei a gostar dele e ele é canhoto. A coincidência é que ele jogou aqui no Inter também (entre 82 e 86). Acabei gostando ainda mais depois que o conheci pessoalmente.
Você acha que a seleção argentina entra forte na Copa do Mundo?
A seleção argentina está em um momento muito bom. O treinador conseguiu consolidar um grupo, formar um time de confiança e temos o melhor do mundo. A gente deposita muita confiança no Messi e em todos. Mas não tem como não focar nele. É a maior esperança da nossa seleção.
Você ainda tem esperança de disputar a Copa?
Passa o tempo e vai ficando ainda mais difícil, mas continuo trabalhando. Nunca perguntei quando era convocado, não vou perguntar agora porque não sou. Vou continuar trabalhando e me esforçando. Tenho de estar preparado se essa chance chegar.
D'Alessandro' (Foto: Reprodução TV Globo)Meia D'Alessandro garantiu que é craque no
churrasco argentino (Foto: Reprodução TV Globo)
O Messi já chegou ao nível do Maradona?
Tem muita gente que acha que o Messi tem que ganhar o Mundial para ser melhor do que o Maradona, e tem gente que não. São diferentes épocas. O Maradona para a Argentina é o nosso emblema do futebol. Não teve outro igual e não tem por que não ser. Mas hoje apareceu um cara que demonstrou para o povo que pode ter outro, que a gente pode ter outra esperança na Copa. É aceitar e apoiar esse cara que pode nos dar o Mundial de 2014.
Como foi a sua infância?
Minha família é humilde, eram dificuldades normais, nunca me deixaram faltar nada. Meu pai trabalhou vinte anos como taxista e depois como mecânico de carro, minha mãe numa escola. Ficavam pouco tempo em casa e meus avós que cuidavam de mim. É muito esforço, muita batalha ganha e fico feliz de ter dado a eles uma vida boa hoje. Para mim é o maior troféu. Meu pai me acompanhou muito, e eu sentia que o sonho dele era de me ver jogar no profissional. Me lembro das viagens em que fazia com o táxi, acho que tinha um Dodge 1.500. Tivemos um campeonato no Sul do país, ele dirigiu 1.500 quilômetros. Ele me acompanhava, não tinha distância, nada que impedisse ele de viajar.

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