sexta-feira, 24 de maio de 2013


24/05/2013 14h05 - Atualizado em 24/05/2013 

Sem título do Brasileirão há 34 anos, Inter usa pressão como motivação

Jogadores apostam na força do grupo para encerrar com o período sem a conquista do nacional

Por Tomás Hammes Porto Alegre
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Internacional taça campeão gaucho (Foto: Wesley Santos / PressDigital)Inter busca sair da fila do Brasileirão e ficar com a
taça (Foto: Wesley Santos / PressDigital)
A cada ano que passa, a pressão aumenta. Já são 34 anos sem o título do Brasileirão. E, mais uma vez, o Inter entra na competição como um dos favoritos. O grupo sabe: caso termine com o longo jejum, estará na história do clube, acostumado a levantar taças nos últimos anos, mas se ressente do principal torneio do país.
O longo período cria uma ansiedade no torcedor. Afinal, entre os 12 grandes clubes brasileiros (os quatro de São Paulo, os quatro do Rio de Janeiro, os dois de Minas Gerais e dois do Rio Grande do Sul), só o Atlético-MG, que venceu em 1971, primeira edição da competição, apresenta um hiato maior.
Jogadores criados no Beira-Rio, que estão há muito tempo no Inter ou mesmo aqueles que recém desembarcaram em Porto Alegre sabem o quanto é importante para os colorados fazer as pazes com a taça, como atesta Josimar:
- Você vê pelo torcedor. O torcedor cobra quando desce no aeroporto que falta o brasileiro. Os jogadores já sabem. A gente vem trabalhando para conquistar. Sei que é muito cedo, mas a gente precisa estar forte desde o início.
O plano foi traçado desde o começo da temporada, quando Dunga e a nova comissão técnica foram apresentados ao grupo de jogadores. A vontade é tamanha que Muriel não vê a hora de entrar em campo para enfrentar o Vitória neste sábado, pela primeira rodada do Brasileirão. Apesar disso, o goleiro volta a seu tom ponderado e pede para o pensamento não estar lá em dezembro, e sim no próximo adversário, para amealhar o máximo de pontos a cada rodada.
- Trabalhamos há muito tempo almejando este título. Nós estamos ansiosos pela estreia, mas temos que pensar jogo a jogo para alcançar o objetivo – projeta o goleiro.
Jogadores apostam na força do grupo
A pressão e a ansiedade, no entanto, se misturam com a confiança. Mesmo que Dunga aguarde os reforços e a direção trabalhe para encorpar ainda mais o plantel e corra prospectando novos jogadores, o grupo entende que já tem força para brigar com os adversários.
- Podemos chegar às cabeças. Só que tem que ir passo a passo. O Brasileirão é longo. Pelas notícias, devem chegar novos jogadores. Mas o nosso grupo já é qualificado, com jogadores bons em todas as posições – aposta Fabrício.
- Temos um grande conjunto. Em 2009, quando fui campeão pelo Flamengo, nosso elenco não era tão como este do Inter hoje. Dá sim para ser campeão – endossa Willians.
Regularidade
Josimar ainda complementa. O Inter, mesmo sem o Beira-Rio, precisa fazer o Centenário virar um caldeirão e não dar chance para os rivais tirarem pontos. Quando atuar como visitante, é importante arrancar nem que seja um empate. E, claro, nestes primeiros cinco jogos, acumular o máximo de pontos para conseguir a tão propagada “gordura”, que dará tranquilidade para o retorno do recesso do Brasileirão em razão da disputa da Copa das Confederações.
- O grande segredo é somar pontos dentro e fora de casa. Tem que ganhar em casa e sempre pontuar fora. Não pode oscilar. Estamos focados para ter uma boa arrancada. Precisamos fazer a nossa parte para acumular gordura para a segunda parte – avalia o volante.
Chance de entrar na história
O título é o pensamento de todos. Fred também espera contribuir para ficar com a taça. E, apesar da pouca idade (20 anos), mostra a serenidade de um veterano. O meia pede para o elenco esquecer a pressão e se esforçar. Até porque, caso atinja o objetivo, o grupo escreverá seu nome entre os grandes do Inter.
- Para entrarmos na história, precisamos ganhar este Brasileiro. Só que não tem que pensar em pressão, é preciso jogar e manter a humildade. O time tem qualidade, vão vir reforços. É manter a tranquilidade, pensar no título, mas sempre com os pés no chão – pondera.
O projeto está traçado. O foco, ao que tudo indica, não ficará pelo caminho. Até porque, a julgar pelo histórico, Dunga não permitirá que qualquer jogador se contagie e caia em um clima de “oba-oba”. Neste sábado, é preciso colocar toda a teoria na prática. Às 18h30m, diante do Vitória, na Arena Fonte Nova, a história pode começar a ser escrita. Os colorados torcem para que venham três pontos na bagagem da delegação. A esperar.

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