quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013


27/02/2013 13h10 - Atualizado em 27/02/2013 

No Libertad, Guiñazu mostra respeito ao Palmeiras: 'Tem camisa pesada'

Aos 34 anos, volante fala da passagem pelo Inter, do desejo de disputar a Copa de 2014 e da fase do time paraguaio, rival do Verdão nesta quinta

Por Marcelo Prado Assunção, Paraguai
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Guiñazu Libertad (Foto: Marcelo Prado)Ex-colorado Guiñazu é um dos destaques do
Libertad na Libertadores (Foto: Marcelo Prado)
Pablo Horácio Guiñazu. Argentino de nascimento, mas com um pouco de sangue brasileiro. Afinal, foi no Internacional que o volante viu sua carreira decolar. Revelado pelo Newell’s Old Boys, passou por Perugia (ITA), Independiente (ARG), Saturn (RUS) e Libertad (PAR) até chegar ao Internacional em 2007. Em cinco anos e meio, conquistou nove títulos de expressão, virou ídolo e marcou seu nome no clube gaúcho.
Aos 34 anos, o simpático meio-campista resolveu encarar um novo desafio na carreira. Com a história já marcada no Colorado, resolveu voltar ao Libertad e cumprir a promessa que havia feito ao presidente Horacio Cartes.
– Quando saí, falei que voltaria um dia. Achei que era o momento e tive a sorte de contar com a compreensão do Internacional, um clube que aprendi a amar. Aos 34 anos, posso dizer que me sinto com um menino correndo atrás da bola – afirmou o jogador, que recebeu a reportagem do GLOBOESPORTE.COM em sua casa, numa área nobre de Assunção.
Durante o papo, Guiñazu falou sobre sua passagem pelo Inter, sobre o desejo de disputar a Copa de 2014 e sobre a nova fase do Libertad. Mostrou muito respeito pelo Palmeiras, adversário da próxima quinta-feira, pela Taça Libertadores da América e concordou com a punição que foi aplicada ao Corinthians na Taça Libertadores da América.
– Futebol é alegria, é diversão. É triste que 99,9% tenham de pagar pelo erro de uma minoria, mas algo precisava ser feito – ressaltou.
Guiñazu Libertad (Foto: Marcelo Prado)Guiñazu recebeu a reportagem do globoesporte.com em sua casa, em Assunção (Foto: Marcelo Prado)
Confira a íntegra da entrevista:
GLOBOESPORTE.COM – Depois de tudo que você conquistou no Inter, você está começando a escrever um novo capítulo de sua história, agora com 34 anos. Ainda tem força para tanto?
Guiñazu – Sou uma pessoa muito feliz. Sempre penso com a razão, mas também com o coração. Havia prometido ao presidente que voltaria. Ele é o dono do clube, me liberou quando surgiu a proposta para sair em 2007. O que me deixou feliz é que, quando surgiu a oportunidade, o Internacional não colocou nenhum obstáculo. Era o momento certo de voltar. Estou me sentindo como um menino. Para mim, é um recomeço, um grande desafio. Estou aqui com toda minha força, meu espírito e ainda muito bem fisicamente.
Time com história é time com história, ninguém muda isso. A camisa do Palmeiras é muito pesada. Não são todos que jogam em times assim"
Guiñazu, sobre o Palmeiras
Depois de seis anos, como reencontrou o Libertad?
Confesso que estou muito impressionado. Encontrei um grupo humilde, sensacional. Pude rever colegas que eram garotos quando saí e que hoje são atletas consagrados, com passagens pela seleção. Casos de Samúdio, Medina, Benegas, Menzia, Gonzalez, Camacho, Patito Aquino. Todos estão do mesmo jeito e com a mesma vontade. Cheguei aqui para ajudar. Demos o primeiro passo, que foi a vitória na Argentina contra o Tigre.
Hoje o Libertad já é uma realidade dentro do futebol sul-americano?
Sem dúvida nenhuma, hoje já é muito mais respeitado. Antigamente, quando alguém enfrentava o Libertad, pensava que era uma baba, afinal não tinha a mesma força de Olímpia e Cerro Porteño. Mesmo mostrando respeito por esses dois times, a situação é diferente. Precisamos apenas de um título no continente para nos consolidarmos. Estamos chegando perto sempre. O primeiro passo para você ganhar é estar sempre disputando a Libertadores. O time cresceu estruturalmente, tudo aqui é de primeiro nível.
Onde a sua equipe pode chegar na Libertadores?
Difícil dizer, ainda estamos no começo. É claro que todos aqui se preparam para o sonho máximo que é o título. Mas o caminho é duro, são muitos obstáculos. Temos de pensar por etapas, falar pouco e mostrar dentro de campo. Nosso primeiro objetivo é garantir uma vaga nas oitavas de final.
Mesmo de longe, ainda acompanha o Internacional?
Sem dúvida nenhuma. Sou torcedor do Inter, não falo por falar. Quando fui para lá em 2007, ganhei carinho e amor que não esperava. Não imaginava que teria tanto sucesso. O que o torcedor de lá me deu eu nunca vou ganhar em nenhum lugar. Acompanho sempre, converso com os amigos que ficaram. No domingo, eles venceram o Gre-Nal, o que é sempre bom. Fiz questão de ligar e dar os parabéns. Estarei sempre torcendo por eles.
No meio dessa passagem pelo Beira-Rio, surgiu o interesse do São Paulo. Ficou alguma mágoa por não ter sido liberado?
De maneira nenhuma. Eles me procuraram por dois anos seguidos. O papo mais forte foi em 2010, eles queriam muito, chegamos a trocar papéis. No mesmo ano, por uma coincidência, acabamos disputando uma semifinal de Taça Libertadores. O Inter não me liberou, não me deixou ir. Não tive problema, não ficou mágoa nenhuma. Só tenho carinho pelo Inter.
Com cinco anos e meio de futebol brasileiro, você conhece bem o Palmeiras. O que pode dizer sobre o rival de quinta-feira?
Vi ao vivo o que o time sofreu com o rebaixamento no ano passado. O que aconteceu não foi bom para o futebol brasileiro. Mas time com história é time com história, ninguém modifica isso. A camisa do Palmeiras é muito pesada. Não são todos que jogam em times assim. Vamos enfrentar um adversário de muita qualidade. Não existe vantagem. Eles têm grandes jogadores, como o Valdivia, que é muito inteligente, faz o que quer com a bola. Tem de respeitar.
Sou torcedor do Inter, não falo por falar. Quando fui para lá em 2007, ganhei carinho e amor que não esperava"
Guiñazu, ao falar do Internacional
O que pensa para o futuro?
Meu contrato com o Libertad é até dezembro de 2015. Se chegar bem até lá, posso continuar, como também posso parar, caso perceba que estou atrapalhando. É difícil pensar nisso agora, incomoda.
Ainda sonha com a seleção argentina?
Claro, todos os dias. Fui convocado durante todo o ano passado. Espero continuar sendo chamado. A Argentina tem um time fantástico, grandes jogadores e um camisa 10 que realmente desequilibra. Seria maravilhoso disputar a Copa do Mundo no Brasil, onde fui tão feliz.
Para fechar, gostaria de saber sua opinião sobre o triste episódio ocorrido em Oruro, quando um garoto de 14 anos foi atingido por um sinalizador atirado por um torcedor do Corinthians e morreu no estádio. Você concorda com a punição aplicada ao clube?
Sem dúvida, é muito triste, afinal um garoto perdeu a vida. Apesar de você prejudicar 99,9% dos torcedores, era preciso punir o clube. Senão você perde o controle. Estamos falando de um ser humano, de uma criança que perdeu a vida. Futebol é feito para dar alegria, para ver quem joga bem. Quando se passa do limite, vira loucura. Muita gente estava no estádio para ver o campeão mundial em ação. Tomara que isso não aconteça nunca mais.
Guiñazu Libertad (Foto: Marcelo Prado)De volta ao Libertad, Guiñazu sonha com a Copa do Mundo de 2014 (Foto: Marcelo Prado)

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